Ser fã de um jogador não nos dispensa de confirmar aquilo que partilhamos. A votação B.O.A.T. é um exemplo disso.
Há muita desinformação nas redes sociais, mas também há muita vontade de acreditar em tudo o que favorece o nosso jogador preferido. E é aí que precisamos de ter cuidado.
Sobre o chamado «Bola de Ouro de Todos os Tempos», convém esclarecer: Cristiano Ronaldo venceu uma votação popular organizada pela France Football, com a sua temporada de 2008. Isso aconteceu. Mas a própria organização explicou que não se tratava de um prémio oficial entregue na gala, nem de um Super Bola de Ouro.
Cada voto custava 1 € e uma pessoa podia votar várias vezes, desde que pagasse por cada participação. Portanto, o número de votos não corresponde necessariamente ao número de pessoas que votaram. Na minha opinião, a France Football soube aproveitar comercialmente a rivalidade entre os adeptos.
Não vou inventar quantas vezes alguém votou, nem repetir números sem provas. O que está confirmado já chega para perceber que esta votação não permite concluir quem é o melhor jogador da história.
Sou fã do Messi, assumo isso sem dificuldade. Mas não preciso de transformar uma sondagem num título oficial para defender a minha preferência. Messi tem oito Bolas de Ouro e Cristiano tem cinco. Esta votação não alterou esse palmarés.
Também não vou desvalorizar a carreira extraordinária do Cristiano. Uma coisa é reconhecer o que conquistou dentro do campo. Outra é aceitar qualquer manchete só porque nos agrada.
Antes de partilhar, procuro confirmar a informação em fontes fiáveis. Não acerto sempre, mas tenho a responsabilidade de verificar e de corrigir quando me engano. Gostar de um jogador não nos obriga a defender tudo o que se publica sobre ele.
O problema começa quando deixamos de procurar a verdade e passamos a procurar apenas aquilo que nos dá razão. Uma notícia enganadora traz cliques e rende dinheiro. Depois, os comentários enchem-se de discussões sobre algo que muita gente nem se deu ao trabalho de ler.
Tenho opinião própria. Apoiar um jogador não me obriga a estar contra o outro, nem me tira a capacidade de reconhecer os seus méritos. Mas também não vou chamar prémio oficial a uma votação popular paga só para acompanhar a festa.
Podemos ter preferências diferentes. Os factos é que não devem mudar conforme a camisola.
