O tempo é a moeda que gastamos sem saber o saldo. E há coisas às quais já demos horas demais.
Há uma frase que me ficou na cabeça: “O tempo é a moeda que gastamos sem saber o saldo.”
Com o dinheiro, ainda conseguimos abrir a conta e ver quanto resta. Podemos cortar numa despesa ou tentar recuperar o que perdemos. Com o tempo, não há essa possibilidade. O dia acaba e aquilo que fizemos dele fica feito. O que deixámos por fazer fica à espera, sem garantia de que teremos outra oportunidade.
Apesar de sabermos isso, vivemos muitas vezes como se houvesse sempre tempo de sobra.
Dizemos que amanhã ligamos àquela pessoa. Que no próximo mês começamos a cuidar melhor de nós. Vamos deixando para depois, porque hoje estamos cansados ou porque nos habituámos a pensar que pode esperar.
É verdade que a vida aperta. Quem sai cedo para trabalhar e chega a casa com o corpo pesado sabe que nem sempre sobra disposição. Há contas para pagar e responsabilidades que não desaparecem só porque precisamos de uma pausa. Não se trata de fingir que cada um faz o que quer com as suas horas.
Mas há uma parte do nosso tempo que ainda podemos escolher como gastar. E é aí que também precisamos de olhar para nós.
Quanto tempo já deste ao que só te faz mal?
Uma pessoa escreve qualquer coisa na internet e lá vamos nós responder. Depois voltamos para ver se respondeu também. Quando damos por isso, passou uma hora, estamos irritados e até quem está em casa acaba por levar com a nossa falta de paciência.
A outra pessoa segue a vida dela. Nós ficamos com a cabeça presa numa discussão que não resolveu nada.
Também acontece fora das redes. Há situações em que continuamos a dar explicações a quem já decidiu não nos compreender. Repetimos a mesma conversa, saímos de lá cansados e, passado algum tempo, fazemos tudo outra vez.
Nem sempre é fácil parar. Às vezes queremos ter a última palavra. Outras vezes custa admitir que demos tanto de nós a uma situação que não vai mudar. Só que continuar por já termos perdido muito tempo pode acabar por nos custar ainda mais.
Descansar também é viver
Quando falo em aproveitar o tempo, não estou a dizer que temos de andar sempre ocupados. Há dias em que o melhor que podemos fazer é chegar a casa e descansar sem culpa. Sentar à mesa com os nossos ou ver um jogo com um amigo. Isso também faz parte da vida.
Não precisamos de transformar cada hora numa obrigação. Já passamos tempo suficiente a correr.
O problema é quando chegamos ao fim do dia e percebemos que estivemos presentes em todo o lado, menos na nossa própria vida. Vimos o que os outros publicaram, acompanhámos uma discussão até ao último comentário, mas quase não ouvimos quem esteve ao nosso lado.
É uma coisa pequena que, repetida todos os dias, começa a ocupar muito espaço.
O “depois” nem sempre chega
Há conversas que adiamos porque achamos que a pessoa vai estar sempre ali. Um dia, ficamos com vontade de fazer aquela chamada e já não podemos. Quem já passou por isso sabe que custa, sobretudo quando se lembra de ocasiões em que bastava ter dado um pouco de atenção.
Não conseguimos viver com medo de perder toda a gente. Mas podemos deixar de tratar a presença das pessoas como uma coisa garantida. Às vezes basta perguntar como estão e ficar mesmo à espera da resposta, sem continuar a olhar para o ecrã.
O tempo passa quando estamos felizes e passa quando estamos zangados. Até um dia bem vivido termina e não volta. Por isso, vale a pena reparar no que fazemos com os dias que ainda temos.
Hoje, antes de entrares numa discussão que já sabes como acaba, pensa no que essa conversa te vai custar. Talvez tenhas razão. Mas talvez prefiras guardar aquela hora para jantar com calma, fazer uma chamada ou simplesmente descansar a cabeça.
Amanhã tens de te levantar outra vez. Não precisas de levar tudo contigo.
